quinta-feira, 13 de junho de 2013

Rimar ao Sto. António

 
Tens un livro que não lês
Tens uma flor que desfolhas
Tens um coração aos pés
E para ele não olhas
Fernando Pessoa


Foto: X@n@. Rutix in Tunisia. Nov. 2011

terça-feira, 11 de junho de 2013

Por trilhos de pescadores

Pes a contemplar paisagens de encantar


domingo, 9 de junho de 2013

A estátua da polémica


Há dias, passeando pela zona da Expo, deparei-me com uma gigantesca estátua que desconhecia.
 
A sua lado, a descrição:
 
Já sabia que o Bairro de Queens em Nova York lhe devia o nome. Rainha consorte de Inglaterra e da Escócia, esposa de Carlos II, supostamente a mão que serviu a primeira chávena de chá em terras onde até então só se bebia cerveja.
 
O que não sabia é que a estátua que estava à minha frente deveria estar a devolver-me o olhar, mas desde o outro lado do Atlântico.  Obra do escultor norte-americano Audrey Flack, a estátua com 10 metros de altura foi esculpida para ocupar um lugar proeminente na Hunters Point, Queens, NY, no final dos anos 90.
 
Mas a polémica instalou-se quando um grupo de activistas afro-americanos se insurgiu contra o projecto alegando o suposto envolvimento da filha de D. João IV no comércio de escravos.
 
 
Apesar de tal envolvimento nunca ter sido claramente provado, o facto é que o presidente do borough de Queens acabou por declarar que a estátua nunca seria colocada em terrenos públicos, com o argumento de que "guilt by association is guilt enough".
 
E, depois de alguns anos esquecida numa fundição, Catarina de Bragança regressou a Lisboa.

Parque das Nações. Lisboa. Junho, 2013

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Não Te Rendas

 
MARIO BENEDETTI
traduzido por Inês Pedrosa

... Não te rendas, ainda estás a tempo
De alcançar e começar de novo,
Aceitar as tuas sombras,
Enterrar os teus medos,
Libertar o lastro,
Retomar o voo.

Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem
Perseguir os teus sonhos,
Destravar o tempo,
Remover os escombros,
e destapar o céu.

Não te rendas, por favor não cedas,
Mesmo que o frio queime,
Mesmo que o medo morda,
Mesmo que o sol se esconda,
E se cale o vento,
Ainda há fogo na tua alma
Ainda há vida nos teus sonhos.

Porque a vida é tua e teu também o desejo
Porque o quiseste e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não há feridas que não cure o tempo.

Abrir as portas,
Tirar os ferrolhos,
Abandonar as muralhas que te protegeram,
Viver a vida e aceitar o repto,
Recuperar o riso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo,
Celebrar a vida e retomar os céus.

Não te rendas, por favor não cedas,
Mesmo que o frio queime,
Mesmo que o medo morda,
Mesmo que o sol se ponha e se cale o vento,
Ainda há fogo na tua alma,
Ainda há vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um começo novo,
Porque esta é a hora e o melhor momento.
Porque não estás só, porque eu te amo.
Foto: Muhipiti. Ericeira. Abril 2013

terça-feira, 21 de maio de 2013

O Forte do Zequinha


Só quando o carro passou pela placa à beira da estrada é que percebi onde estava. Perto de Elvas, sim, mas ainda mais perto de uma antiga história de família.
 
Importante fortificação, posteriormente convertida em prisão militar, o Forte da Graça, era “O Forte” que acompanhava o “Zequinha” na alcunha que o meu avô José ganhara logo nos primeiros anos de vida.
 
Subi até ao imponente baluarte, e pela primeira vez senti as muralhas a que o Zequinha do Forte, com apenas 3 ou 4 anos, se assomou, em periclitante equilíbrio, para ver um ninho cheio de ovos de pássaro alojado numa fenda da amurada. Valeu-lhe um par de mãos forte e os reflexos rápidos de um oficial que fazia a ronda.
Toda a vida ouvi esta história, como se tivesse passado num local virtual e incorpóreo. Uma singela lenda familiar que agora se enchia de vida e dimensão.
 
A fortaleza está tristemente em ruínas. Numa das casas construídas nos baluartes pentagonais viveram os meus bisavós. Entrei numa delas ao acaso. Vazia; paredes forradas a cimento, tijolos em vez de janelas. É preciso um esforço grande da imaginação para conceber que alguém aqui alguma vez morou, trabalhou, criou uma família.
 
Património Mundial da Unesco, o Forte da Graça está vetado ao abandono.
 
É arrepiante ver o estado a que chegou um edifício que marcou a história do pais.
 
Assustadores são os boatos de que poderá vir a ser vendido a um grupo empresarial chinês.....
Fotos: Muhipiti. www. Elvas. Novembro 2012.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Beijo