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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Pé no Arco

"Do alto do Arco da Rua Augusta, avista-se a cidade que durante séculos foi o palco de longas demandas por esse mundo fora"

"Muitos foram os pézinhos que passo a passo descobriram homens de outras paragens, linguagens que não percebiam, animais e plantas que rivalizavam com o imaginário das suas mentes, paisagens que pareciam o céu e outras que pareciam o inferno, o desconhecido que tentaram conhecer, riquezas que tentaram apoderar-se, crenças que impuseram, indumentárias que "vestiram" o nú... Pézinhos imperfeitos..."

VIRTVTIBVS MAIORVM VT SIT OMNIBVS DOCVMENTO. “Às Virtudes dos Maiores, para que sirva a todos de ensinamento”.
 

Projecto do Arqto. Veríssimo José da Costa, esculturas na parte superior do arco de Célestin Anatole Calmels que representam ao centro a Glória coroando do lado esquerdo o Valor e do direito o Gênio e no plano mais baixo da autoria de Vitor Bastos as esculturas da esquerda para a direita Viriato, Vasco da Gama, Marquês de Pombal e Nuno Álvares Pereira. E ainda deste último escultor nas laterais esquerda o rio Tejo e direita o rio Douro (estes rios delimitavam a região onde viviam os Lusitanos).
 
 
Atualmente a Arqta. Manuela Arnaut projectou os "pés" que permitem ao comum dos mortais o acesso a esta belíssima Obra de Arte e à maravilhosa vista da cidade das 7 colinas.
 
Foto: Manelita, Arnaut e Muhipiti. Lisboa, Abril 2014

domingo, 9 de junho de 2013

A estátua da polémica


Há dias, passeando pela zona da Expo, deparei-me com uma gigantesca estátua que desconhecia.
 
A sua lado, a descrição:
 
Já sabia que o Bairro de Queens em Nova York lhe devia o nome. Rainha consorte de Inglaterra e da Escócia, esposa de Carlos II, supostamente a mão que serviu a primeira chávena de chá em terras onde até então só se bebia cerveja.
 
O que não sabia é que a estátua que estava à minha frente deveria estar a devolver-me o olhar, mas desde o outro lado do Atlântico.  Obra do escultor norte-americano Audrey Flack, a estátua com 10 metros de altura foi esculpida para ocupar um lugar proeminente na Hunters Point, Queens, NY, no final dos anos 90.
 
Mas a polémica instalou-se quando um grupo de activistas afro-americanos se insurgiu contra o projecto alegando o suposto envolvimento da filha de D. João IV no comércio de escravos.
 
 
Apesar de tal envolvimento nunca ter sido claramente provado, o facto é que o presidente do borough de Queens acabou por declarar que a estátua nunca seria colocada em terrenos públicos, com o argumento de que "guilt by association is guilt enough".
 
E, depois de alguns anos esquecida numa fundição, Catarina de Bragança regressou a Lisboa.

Parque das Nações. Lisboa. Junho, 2013

terça-feira, 21 de maio de 2013

O Forte do Zequinha


Só quando o carro passou pela placa à beira da estrada é que percebi onde estava. Perto de Elvas, sim, mas ainda mais perto de uma antiga história de família.
 
Importante fortificação, posteriormente convertida em prisão militar, o Forte da Graça, era “O Forte” que acompanhava o “Zequinha” na alcunha que o meu avô José ganhara logo nos primeiros anos de vida.
 
Subi até ao imponente baluarte, e pela primeira vez senti as muralhas a que o Zequinha do Forte, com apenas 3 ou 4 anos, se assomou, em periclitante equilíbrio, para ver um ninho cheio de ovos de pássaro alojado numa fenda da amurada. Valeu-lhe um par de mãos forte e os reflexos rápidos de um oficial que fazia a ronda.
Toda a vida ouvi esta história, como se tivesse passado num local virtual e incorpóreo. Uma singela lenda familiar que agora se enchia de vida e dimensão.
 
A fortaleza está tristemente em ruínas. Numa das casas construídas nos baluartes pentagonais viveram os meus bisavós. Entrei numa delas ao acaso. Vazia; paredes forradas a cimento, tijolos em vez de janelas. É preciso um esforço grande da imaginação para conceber que alguém aqui alguma vez morou, trabalhou, criou uma família.
 
Património Mundial da Unesco, o Forte da Graça está vetado ao abandono.
 
É arrepiante ver o estado a que chegou um edifício que marcou a história do pais.
 
Assustadores são os boatos de que poderá vir a ser vendido a um grupo empresarial chinês.....
Fotos: Muhipiti. www. Elvas. Novembro 2012.

sábado, 27 de outubro de 2012

O Nome da Rua

 
Ilustre família dos Macedo Pintos
Que em Tabuaço viveram
Militares, médicos distintos
Que esta vila acolheram
 
 
A Vila de Tabuaço
Pequenina mas tem graça
Tem um chafariz ao meio
Que dá de beber a quem passa
 
 
Texto: RGouveia (da Ilustre Família Macedo Pinto)
Foto: Tabuaço. Setembro 2012

domingo, 11 de setembro de 2011

O Atlântico em Cape Cross


Um pé no Atlântico, em Cape Cross, onde Diogo Cão pôs o seu pé em 1486. (Namíbia)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pezinhos e Gravuras

Barca d'Alva
No fim-de-semana das festividades de Sto. António, 3 membros da equipa dos pezinhos
resolveram deslocar-se ao Norte de Portugal e recuar no tempo mais de 20 mil anos.
Na bagagem, curiosidade, bravura e desejo de mudar de ares
trouxeram alento para as (ainda que curtas) caminhadas a 3 dos vários núcleos de gravuras --
Canada do Inferno, Penascosa e Ribeira de Piscos (ou Muxagata).
Muitos mais são os grupos de gravuras existentes - mais de 20 - mas, nem todos abertos ao público. Grande parte das gravuras do nosso Património datam do Paleolítico Superior e têm entre 10 e 23 mil anos. As mais antigas que se conhecem datam de há 30 mil anos. De entre os vários núcleos visitados, uns destacam-se mais pela beleza envolvente, outros pela própria riqueza e diversidade das gravuras. Percebemos que o interesse político esmoreceu por completo e deixámos cair no esquecimento esta imensa riqueza Nacional. Exemplo disso, é um Museu (de localização priveligiada sobre o Douro) que está para ser inaugurado há anos... os guias começaram por ser 17 e estão reduzidos a 5, não conseguindo dar vazão aos cerca de 20 mil visitantes/ano.
Desconhecem-se os motivos da tendência para a aglomeração (e mesmo sobreposição) das gravuras nas mesmas rochas. Existem teorias que defendem que, entre os homens pré-históricos já existiam artistas e nem todos estavam destinados à arte da caça. As cenas mais retratadas são figuras animais - cavalos, bois, touros, peixes (em número reduzido) e cabras - mas também pudemos observar uma figura humana (algo mutante), na Muxagata. O que levaria os nossos antepassados a desenhar estas figuras? Motivos místicos, religiosos, veia artística, por mera descoberta desta possibilidade ...? Utilizavam quer a técnica de gravar, quer de desenhar e, como certo, apenas a nossa possibilidade de dar asas à imaginação e recuar no tempo, até aos primeiros Homo sapiens sapiens.
Marialva
Esta região vinhateira convida à descoberta de vales e socalcos profundamente marcados. Percorremos ainda aldeias e vilas históricas como Almeida, Marialva ou Torre de Moncorvo e atestámos o bom paladar da (igualmente rica) região gastronómica. Vinhos generosos e farta comida, a pedir longas caminhadas e lenta degustação.
Na memória, ainda os voos rasantes da águia de Bonelli e as centenas de pombais que povoam toda a região.
Não votar ao esquecimento o que é de todos nós e que
foi afinal uma (única?) vitória, da riqueza cultural sobre interesses de gigantes económicos/políticos, que poderá continuar a perpetuar a sua história para futuras gerações.